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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

TARDE DE FUTEBOL NO MINEIRÃO

Domingo é dia de futebol no Mineirão. Estava para começar um dos maiores clássicos do esporte nacional, “Cruzeiro x Atlético”. Partida válida pela 14ª rodada do Brasileirão Série A - 1999. A esposa estava grávida de quatro meses da menina Giulia. Aguardávamos o início da partida na tribuna de convidados, espaço confortável debaixo das cabines de imprensa do estádio.

O lado esquerdo do estádio cobriu-se de um manto preto e branco, expressão máxima da paixão atleticana. Um espetáculo digno das maiores torcidas do Brasil. Aquele foi o momento mais importante da tarde de futebol, quando entrou em campo o time do Galo Forte Vingador. O instante eternizou-se na revelação da mãe: “a menina em meu ventre vibrava junto com a massa atleticana, fazendo tremer a estrutura de concreto”. Giulia nasceu atleticana e acompanha o pai ao Mineirão, sem se cansar de gritar bem alto “Galô ôôôô ôôôô ôô, Galô, Galô,Galô...”.

Nasci no seio de uma família de maioria cruzeirense, o quinto de seis filhos. Meu pai e os quatro primeiros filhos torcem pelo Cruzeiro. Eu e o caçula torcemos pelo Atlético. Acredito que o paizinho descuidou-se e, quando percebeu, eu já era atleticano doente. Um grande galo branco, enorme para meus três anos de idade, foi presente dele. O sentimento de afeição pela ave foi imediato. Com ajuda da Chica, me agarrava em suas asas abertas, sendo, literalmente, arrastado terreiro abaixo, voando rasante acima da plantação de feijão ou do que sobrava dela.

Forte e bom de briga o galo tomou conta do galinheiro. Impunha respeito com sua grande crista vermelha e espora afiada, confirmando a fama de valente que espalhara entre os demais animais da casa. Gatos e cachorros, ninguém chegava perto, muito menos as crianças da família ou da vizinhança. Conquistei sua confiança alimentando-o com punhados de milho oferecido na palma da mão, através de fendas no cercado. O galo passou a ser meu melhor amigo e brinquedo de verdade.

De tão bravo que era o pai ameaçou matar o galo depois, disse que levaria o animal para a roça. A mãe teve que intervir a favor da permanência do galo na casa. Sua justificativa foi de que não adiantaria nada matá-lo, pois a carne dura não cozinharia nem na pressão. Levá-lo para a zona rural em nada ajudaria. Mãezinha notou desde o início o apego pelo galo e registrou a amizade no álbum de fotografia da família. A parceria durou muitos anos e, aonde fosse, carregava debaixo do braço o galo branco de estimação.


Já crescido, ganhei de presente do primo adulto uma camisa que trouxe de sua viagem à França. No bolso estava bordado um galinho, símbolo da seleção francesa. Os anos se passaram, mas ficou a referência de criança. O clube de futebol que tem o galo como mascote é o meu time do coração e das minhas filhas. O clube que amo, torço de corpo e alma. Uma vez até morrer!